Talvez parte de algumas patologias (cefaleia, por exemplo), venham de tensionamento entre a obrigação, o dever, o trabalho necessário, e a urgência de fruir uma atividade prazerosa (a leitura de um romance por exemplo).
O embate entre o dever e o prazer gera a tensão. E dele, nasce a tal patologia.
Nada de novo, até aqui.
O fato é que, lendo o quinto volume da megabiografia de Dostoiévski, de Joseph Frank, Dostoiévski: O Manto do Profeta, 1871-1881, lembro-me a todo tempo dos códigos e da doutrina civilista e registral, à espera de leitura. Eis a tensão presente.
Mas o sabor da leitura e o espírito que visita a Rússia czarista (no esforço de Frank de escanear o panorama sócio-cultural em que viveu o autor de O Idiota) subvertem qualquer crítica que eu faça a mim mesmo.
Certo que os amigos concursandos estão tendo relativo ou total sucesso. E o sistema notarial e registral, com a posse de muitos, oxigena-se visivelmente (uma revolução para muitos; uma bobagem, para néscios que desconhecem o notariado, daqui e de outros países). Tudo bem. Mas cada um estabelece suas prioridades como quer; e, a partir dessa premissa, deve assumir as consequências da decisão tomada.
Voltarei ao tema. Por ora, fico neste ponto.
Publicado também no blog literário Quase hai
O princípio do concurso público e um breve histórico das atividades notariais e de registros no Brasil A história do notariado e dos registros públicos é tão densa quanto antiga. Essas atividades se originaram com a finalidade de atender a necessidades sociais de imprimir segurança e estabilidade nas relações interpessoais, jurídicas ou não, permitindo, assim, a perpetuação no tempo de negócios privados e, consequentemente, preservando os direitos daí derivados. Como observa Aliende , “é o escriba, encontrado na civilização egípcia e no povo hebreu, o antepassado do notário [2] ”. O desenvolvimento dessas atividades nos países que adotam órgãos de fé pública ao redor do mundo está caracterizado pelo exercício privado de funções públicas . Assim ocorre, em maior ou menor escala, na Itália, na França, na Espanha, na Alemanha e em Portugal. O mesmo se dá no Brasil, em que, salvo fracassadas experiências em contrário, como as trágicas (e já superadas) estatizações de cartórios feitas n...
Comentários